2016-05-17

A amiga genial

No bairro, duas raparigas assistem a violência e confusão, querendo diferente. O conflito sempre presente entre a pobreza e o poder. O poder de poder comprar, mandar fazer, mandar estudar, ou não mandar. E o regresso a casa para cuidar dos mais pequenos. Ou a entrada na oficina, onde ousa pensar em  construir, manualmente, sapatos. Inovar para sobreviver. Mas como se incorpora querer fazer diferente?
Nesses sapatos já calçados, depois de imaginados e cosidos a mão, o símbolo do poder e de uma submissão que não se arqueia. Ao longo das páginas, a força de uma pequena rapariga agreste, quase selvagem e inteligente. A outra rapariga, doce e delicada, em transformação. Em aquisição. Em desocultacao.
No bairro, onde quase vivemos durante 200 páginas, o desígnio da submissão para sobreviver.  E a única submissão aceitável parece ser o assumir o papel de mulher antes do tempo, transformando-se assim em senhora que poderá, eventualmente, poder decidir. Mas como decidir quando o seu esforço é calçado pelo inimigo?

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